quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A voz como instrumento de trabalho

Escrito por Silvia Tieko Kasama A voz humana é uma verdadeira amostra de nossa personalidade, de nossas emoções e sentimentos. É através dela que exercitamos a linguagem falada e temos a possibilidade de utilizar palavras, cantar, rir, chorar... Muitas vezes nem é a palavra que comunica, é a própria voz. Porém, utilizamos a voz de maneira tão automática que muitas vezes nem percebemos. Um exemplo: é comum telefonarmos para alguém e com um simples “alô”, já conseguimos notar ou supor se a pessoa está desanimada ou alegre, fechada ou mais receptiva, se é criança ou adulto, se é homem ou mulher. Quanta informação, não é mesmo? Conseguimos até perceber se a pessoa acabou de acordar! Aí dizemos: “Desculpa, eu te acordei?” e quase sempre respondem “Não, imagina, eu já estava acordado!”. É, meus amigos, a nossa voz reflete o nosso estado físico e emocional. Ela é pura e verdadeira comunicação! Muitas pessoas têm a voz como o seu principal instrumento de trabalho. É o caso dos cantores, atores, repórteres, radialistas, operadores de telemarketing, políticos, professores..., e tantos outros mais. E você, utiliza a voz no seu trabalho? Segundo dados da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV) mais de 70% da população ativa têm na voz o instrumento de trabalho mais exigido, mesmo que ela não seja o foco de suas atividades. A ABLV ainda estima que 2% dos professores brasileiros (cerca de 25 mil professores) serão afastados de suas funções por problemas de voz (na laringe e pregas vocais), caso providências preventivas e terapêuticas não sejam tomadas. A disfonia (problema de voz) pode se manifestar por rouquidão, cansaço ao falar, falhas na voz, ardência na garganta, dor ao falar, falta de volume e projeção, entre outros sintomas. Também pode se manifestar por meio de lesões nas pregas vocais. Uma das lesões mais conhecidas é o nódulo vocal (muito conhecido como “calo na corda vocal”). Vários estudos apontam que o professor é um dos profissionais mais afetados pela disfonia e há uma série de fatores que contribuem para este dado: salas com acústica ruim, muitos alunos por sala, falta de orientação a respeito do uso da voz, fatores emocionais como estresse e depressão (lembre-se que a voz reflete nossas emoções), além da baixa remuneração, o que leva a longas jornadas de trabalho e consequente uso abusivo da voz. Seria muito importante que a orientação a respeito do uso da voz fosse oferecida ao professor ainda durante a sua formação profissional, pois a voz continua sendo o principal recurso didático de um professor. As pregas vocais são as principais estruturas envolvidas na produção vocal e são constituídas de músculo e mucosa. Como qualquer outro músculo do corpo, eles se “cansam”, ou seja, podem entrar em fadiga e também envelhecem (perdendo a tonicidade com o passar dos anos). Exercícios de voz podem tornar estes músculos mais resistentes e até mesmo prevenir lesões. É o caso dos exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal, muito importantes para aqueles que utilizam a voz intensamente, já que produzir voz é sinônimo de trabalho muscular. Se quisermos fazer uma comparação, é só lembrar dos atletas se preparando para uma competição ou treino: antes de iniciar, eles costumam exercitar os músculos através de movimentos específicos (aquecimento) e após o término do esforço muscular eles costumam fazer movimentos para relaxar os músculos (desaquecimento). E quem utiliza a voz no trabalho pode ser considerado um verdadeiro “atleta da voz”. Na área de voz, o fonoaudiólogo é o profissional responsável por adequar a função vocal, a maneira como a voz é produzida. Esta atuação pode ser preventiva, de aprimoramento ou de reabilitação. O trabalho fonoaudiológico é realizado basicamente por meio de exercícios de voz e orientações, de acordo com as particularidades de cada caso. Vamos ficar mais atentos à voz, afinal, como disse um dos maiores músicos de nosso país, Tom Jobim: “A voz humana é o instrumento mais rico que há.” Fonoaudióloga Clínica

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